As exportações da China subiram 25 por cento na comparação anual em agosto, acelerando em relação à alta de 23.9 por cento de julho, à medida que a demanda global por automóveis e bens de alta tecnologia chineses manteve o motor exportador do país a todo vapor, apesar das tensões comerciais em curso. O superávit comercial se ampliou para US$ 119.1 bilhões, o quarto mês consecutivo acima de US$ 100 bilhões, segundo dados aduaneiros divulgados na terça-feira pela Administração Geral das Alfândegas da China.
As importações também ganharam força, subindo 28.2 por cento na comparação anual em agosto, ante um aumento de 27.5 por cento em julho. O superávit maior leva o superávit comercial acumulado de 2026 a US$ 805.51 bilhões, colocando a China no caminho para superar US$ 1 trilhão por um segundo ano consecutivo, depois de registrar um superávit recorde de US$ 1.2 trilhão em 2025.
As categorias de destaque foram as exportações automotivas, que cresceram 43 por cento na comparação anual, e os embarques de semicondutores, que dispararam 129.8 por cento. "A China é muito competitiva em suas exportações de bens tecnológicos", disse Chi Lo, estrategista sênior de mercados para a Ásia-Pacífico na BNP Paribas Asset Management. "A China avançou agressivamente na cadeia de valor e se tornou uma grande player em infraestrutura de IA e automação industrial."
As exportações para os Estados Unidos subiram 34.4 por cento na comparação anual, para US$ 42.5 bilhões, refletindo em parte um efeito de base depois que tarifas americanas mais altas fizeram os embarques caírem no mesmo período do ano passado. As exportações americanas para a China somaram US$ 13.3 bilhões, deixando um superávit bilateral favorável a Pequim de cerca de US$ 29.2 bilhões, segundo dados da alfândega chinesa. Os embarques para a União Europeia cresceram 6.6 por cento, enquanto as exportações para o Sudeste Asiático e a América Latina avançaram 30.2 por cento e 17.5 por cento, respectivamente.
Os dados chegam antes de uma reunião planejada entre o líder chinês Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para o fim de setembro. O comércio deve ser um tema central das discussões. Em uma reunião recente de autoridades financeiras do G20 em Asheville, na Carolina do Norte, 19 membros concordaram em tratar dos desequilíbrios comerciais depois que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, descreveu o superávit chinês como uma barreira ao crescimento econômico global. A China foi a única voz discordante.
Apesar dos números robustos de exportação, a economia doméstica chinesa continua a enfrentar dificuldades. O consumo e o investimento seguem fracos após uma prolongada crise imobiliária. No domingo, Pequim anunciou uma injeção de cerca de US$ 54 bilhões em bancos e seguradoras estatais para apoiar o crescimento. A economista-chefe da ING para a Grande China, Lynn Song, disse que as exportações "devem levar a um novo superávit comercial recorde neste ano", o que reforça a dependência contínua de Pequim da demanda externa mesmo enquanto os formuladores de políticas trabalham para estimular o consumo doméstico.
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