O Comité de Política Monetária do Banco de Inglaterra votou por uma maioria de seis contra três para manter a sua taxa de juro de referência inalterada em 3,75 por cento na reunião que terminou em 16 de setembro de 2026, anunciou o Banco na quinta-feira. Três membros — Megan Greene, Catherine Mann e Huw Pill — votaram a favor de um aumento de um quarto de ponto para 4 por cento.
O governador Andrew Bailey disse que o Banco estava pronto para agir, avisando que quanto mais persistir a volatilidade nos mercados globais de energia, mais provável se tornará um aumento da taxa. "Até agora, os custos globais de energia mais elevados tiveram um efeito limitado na fixação de preços e salários no Reino Unido", disse Bailey. "Mas quanto mais esta volatilidade persistir, maior será o impacto que terá na inflação, e mais provável será que tenhamos de subir a taxa do Banco para garantir que a inflação regresse ao nosso objetivo de 2 por cento."
A decisão surgiu quando a inflação dos preços no consumidor no Reino Unido subiu para 3,1 por cento em termos homólogos em agosto, acima dos 2,9 por cento em julho e a leitura mais elevada em cinco meses. O Banco disse que esperava agora que o IPC atingisse aproximadamente 3,75 por cento no quarto trimestre de 2026 e subisse ligeiramente acima de 4 por cento no primeiro trimestre de 2027, impulsionado pela subida acentuada dos custos de energia. O crude Brent tinha atingido 106 dólares por barril e o gás grossista britânico 207 pence por therm em 14 de setembro, mais 36 por cento e 78 por cento respetivamente face ao período que antecedeu o Relatório de Política Monetária do Banco de julho.
Divergência sobre os efeitos de segunda ronda
O MPC manteve-se dividido quanto ao risco de os preços da energia se transmitirem a pressões mais amplas sobre salários e preços. A maioria dos seis membros considerou que condições financeiras restritivas e um mercado de trabalho brando eram suficientes para travar os efeitos de segunda ronda por agora, mesmo com o risco de tais efeitos a aumentar. Dois membros da maioria — Swati Dhingra e Alan Taylor — atribuíram particular peso ao papel da folga económica em conter a inflação.
Os três membros discordantes argumentaram que, com um pico da subida da inflação projetado para o início de 2027, exatamente quando os acordos salariais estavam a ser negociados, era necessário um aumento proativo para ancorar as expectativas. Notaram que a folga no mercado de trabalho parecia ter atingido o pico, dado o crescimento do PIB de 0,4 por cento no segundo trimestre, acima do esperado, e indicadores que apontam para uma possível expansão do emprego.
Redução do QT e implicações para o mercado de gilts
A par da decisão sobre as taxas, o MPC votou por unanimidade reduzir a zero, ao longo de um plano plurianual, o stock de obrigações do governo britânico detido para fins de política monetária. O Banco anunciou um acordo surpresa para vender aproximadamente 146 mil milhões de libras em obrigações ao Debt Management Office, a um ritmo de cerca de 20 mil milhões de libras por ano até 2034, com o DMO a emitir depois dívida de prazo mais curto para cobrir as suas necessidades de financiamento. O plano exigiria a aprovação do ministro das Finanças John Healey em abril.
O acordo foi concebido para evitar turbulência nos mercados, transferindo gilts de longo prazo — cuja procura dos investidores enfraqueceu — para o Debt Management Office do Tesouro, que tem maior flexibilidade para emitir instrumentos de prazo mais curto. O Banco manterá cerca de 120 mil milhões de libras em obrigações necessárias para garantir a emissão de notas, com o stock restante a desenrolar-se através de vendas ativas ou do vencimento natural.
A decisão de suspender as vendas ativas de gilts a investidores da City enquanto durar o acordo enviou um sinal aos mercados, com a yield dos gilts a 10 anos a cair seis pontos base para 5,243 por cento. Os operadores da City estão agora a descontar uma subida da taxa de um quarto de ponto já a partir de novembro, com expectativas de taxas a atingir 4,75 por cento até ao final de 2027.
Fontes
- [Bank of England, Monetary Policy Summary and Minutes, September 2026](bankofengland.co.uk)
- [The Guardian, Bank of England holds interest rates at 3.75% but warns war could force future rises](theguardian.com)