O chanceler alemão Friedrich Merz está sob intensa pressão política depois que sua União Democrata-Cristã (CDU) sofreu seu pior resultado de todos os tempos em uma eleição estadual, caindo abaixo do limiar de 5 % em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e perdendo terreno em Berlim, enquanto a ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) consolidava seu domínio nos estados do leste.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD venceu com 38,2 % dos votos nos resultados preliminares de 20 de setembro, tornando-se o maior partido do estado do nordeste. Os social-democratas de centro-esquerda (SPD) ficaram com 35,5 %, enquanto a CDU desabou para 4,9 %, abaixo do mínimo necessário para entrar no parlamento estadual. É a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que a CDU é excluída de uma assembleia regional, e seu pior desempenho anterior em uma eleição estadual foi de 9 % em Bremen, em 1951.
Em Berlim, o partido de esquerda Die Linke liderou as pesquisas com cerca de 26 %, um feito histórico para a legenda na capital, enquanto a CDU terminou com cerca de 19 %. A AfD aumentou sua fatia para aproximadamente 16 %, ante 9,1 % na eleição de 2023, dando continuidade a um padrão de ganhos da ultradireita em cidades onde antes era mais fraca.
Os resultados vieram apenas duas semanas depois de a AfD conquistar 44 % em Saxônia-Anhalt, onde a CDU obteve apenas 17 %. Juntos, os três pleitos desenham o quadro de um partido no governo perdendo apoio no leste enquanto a AfD normaliza sua presença em um número crescente de estados.
Merz reagiu declarando que os resultados são um "desastre", mas descartou firmemente renunciar. Falando na sede da CDU em Berlim, disse: "As reformas têm de vir. Assumo esta responsabilidade porque quero fazer nosso país avançar." Ele confirmou que seguirá adiante com um pacote de reformas econômicas, tributárias e de bem-estar social e cancelou uma viagem prevista à Assembleia Geral das Nações Unidas para se concentrar nas consequências políticas.
O chanceler apresentou sua agenda de reformas como uma resposta direta ao apelo da AfD, argumentando que a modernização econômica é "o antídoto para o veneno autoritário que penetra cada vez mais fundo em nossa sociedade". A colíder da AfD, Alice Weidel, porém, rebateu: "Somos a força mais forte e chegamos ao mainstream da população." Quando questionada pela BBC sobre quanto tempo Merz ainda tem, respondeu: "Muito em breve, ele vai sair."
Holger Schmieding, economista-chefe do Berenberg, afirmou que Merz está "lutando por sua sobrevivência política". O comentário sublinha a gravidade da situação: Merz é chanceler há apenas 16 meses e tem enfrentado índices de aprovação persistentemente baixos. Embora oito líderes estaduais o tenham apoiado publicamente no início da semana, os últimos resultados intensificam as especulações sobre uma possível troca de chanceler no meio do mandato, um mecanismo que existe na Lei Fundamental da Alemanha, mas nunca foi usado.
A turbulência política tem implicações econômicas imediatas. A agenda de reformas pró-crescimento da Alemanha, que os investidores acompanhavam de perto, parece cada vez mais frágil. Um chanceler enfraquecido pode ter dificuldade para aprovar o afrouxamento fiscal e as reformas estruturais no Bundestag, especialmente com a AfD e uma esquerda revitalizada puxando o centro de gravidade político em direções opostas.
Os mercados inicialmente mostraram reação limitada. Na segunda-feira, o DAX fechou em alta de 1,1 %, aos 25.575 pontos, mas a recuperação pareceu impulsionada mais por preços do petróleo mais firmes e rendimentos de títulos estabilizados do que pelo otimismo em relação à política alemã. Os investidores ponderam o risco de que uma incerteza política prolongada possa atrasar exatamente as reformas que sustentaram uma modesta revalorização dos ativos alemães no início do ano.
O avanço da AfD também levanta questões sobre a governabilidade no leste da Alemanha. Como todos os partidos tradicionais se recusam a formar coalizões com a AfD, o domínio do partido complica a aritmética das coalizões. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o SPD e a CDU juntos teriam uma maioria muito apertada, mas o colapso da CDU abaixo de 5 % significa que ela não pode participar do governo de forma alguma, deixando o SPD para navegar por um caminho complicado envolvendo partidos menores ou arranjos minoritários.
Para Merz, o desafio imediato é político, mais do que legislativo. Ele precisa reconstruir a credibilidade junto a eleitores que parecem ter perdido a paciência com um governo que consideram lento demais para entregar resultados. Se conseguirá fazê-lo mantendo o apoio de seu próprio partido e sem alienar os parceiros de coalizão que compartilham o poder com ele determinará se os próximos dois anos de seu mandato serão definidos pela reforma ou pela sobrevivência.
Fontes
- BBC News, "German state elections: Chancellor Friedrich Merz vows to stay on despite 'disaster' in polls," September 20, 2026. bbc.com
- The Guardian, "German state election humiliation: Friedrich Merz on borrowed time as CDU unrest grows," September 21, 2026. theguardian.com
- TIME, "German far-right expands gains in disaster to Chancellor Merz," September 21, 2026. time.com