Duas semanas após a aquisição do Cursor pela SpaceX, concluída em 14 de agosto em uma transação total em ações no valor de $60 bilhões, a OpenAI decidiu cortar o acesso da ferramenta de programação por IA aos seus modelos. A desconexão entrará em vigor em 12 de novembro, prazo para os desenvolvedores escolherem um provedor alternativo.
O Cursor é um dos assistentes de programação por IA mais usados entre desenvolvedores de software, e sua colaboração com a OpenAI remonta a anos: a plataforma foi um dos primeiríssimos clientes da empresa de Sam Altman, que por muito tempo a tratou como infraestrutura neutra para seus negócios.
O mecanismo: a cláusula de mudança de controle
A OpenAI nunca afirmou que o Cursor fez algo errado. Para sair da parceria, invocou uma cláusula de mudança de controle, a disposição contratual que permite a uma parte romper um acordo quando a outra é adquirida. A razão declarada é a confiança: a OpenAI diz que não pode ter certeza de que a SpaceX, a nova proprietária, seguirá suas regras.
Dois precedentes foram citados para sustentar a decisão. O primeiro diz respeito ao X, a plataforma social que Elon Musk comprou em 2022 e mais tarde incorporou à órbita da SpaceX, que já havia violado um contrato anterior com a OpenAI. O segundo é ainda mais sensível: em 30 de abril, em um tribunal da Califórnia, um advogado perguntou a Musk se a xAI havia destilado os modelos da OpenAI para treinar o Grok, seu modelo rival. Destilação significa provocar repetidamente um modelo rival para copiar o que ele sabe. Musk respondeu inicialmente que toda empresa de IA faz isso, mas sob mais pressão admitiu que a xAI o havia feito ao menos em parte. Musk depunha em seu próprio processo contra a OpenAI, que um júri rejeitou três semanas depois por ter sido apresentado tarde demais.
A condição Astra e as reações
A OpenAI acrescentou mais uma condição: Astra, seu próximo modelo principal, nunca estará disponível por meio do Cursor. Michael Truell, cofundador do Cursor e agora empregado na SpaceX, estimou o dano em cerca de 5% do tráfego de usuários da plataforma e confirmou que as conversas com a OpenAI continuam. Segundo Truell, "o Cursor foi um dos primeiríssimos usuários da OpenAI, trabalhamos de perto com a equipe deles por anos e contávamos com a plataforma deles como infraestrutura neutra para o nosso negócio".
A reação de Elon Musk não deixa espaço para negociação: em sua resposta inicial, ele disse que "não poderia se importar menos", chamando Altman e o presidente da OpenAI, Greg Brockman, de não confiáveis.
A Anthropic seguiu na direção oposta. O cofundador Tom Brown anunciou mais capacidade de computação para fazer o Claude rodar melhor no Cursor: "O Cursor tem sido um parceiro confiável da Anthropic desde o lançamento do Sonnet 3.5. Continuaremos aumentando a capacidade de computação para sustentar os modelos Claude no Cursor e estamos entusiasmados com o que vem pela frente com eles dentro da SpaceX", escreveu Brown em uma publicação feita no sábado pela manhã.
O que está em jogo não é receita: a OpenAI não está defendendo os 5% das vendas gerados por um único cliente, está se recusando a vender seus serviços a Musk. Os desenvolvedores têm até 12 de novembro para migrar para outros provedores, e o Cursor já oferece os modelos Grok, Claude e Gemini.
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