A guerra pelo controle da infraestrutura energética do Oriente Médio escalou bruscamente em 8 de setembro, quando o Irã advertiu que atacaria ativos de petróleo e gás dos EUA no Golfo caso Washington atingisse suas próprias instalações energéticas, enquanto militantes houthis apoiados pelo Irã lançaram ataques simultâneos a instalações da Saudi Aramco no sul da Arábia Saudita. O Brent bruto disparou para US$ 98,63 o barril — seu nível mais alto desde 24 de julho — após atingir o pico intradiário de US$ 99,46, evidenciando a rapidez com que o conflito apertou a oferta global de petróleo e elevou a perspectiva de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz.
Os ataques houthis tiveram como alvo instalações energéticas em Jazan, Abha, Najran e Khamis Mushait em 8 de setembro, provocando incêndios e forçando o Ministério de Energia da Arábia Saudita a suspender temporariamente as operações em vários locais, informou o ministério em comunicado. Setenta e três civis ficaram feridos, segundo a Saudi Press Agency. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que Teerã retaliaria contra a infraestrutura energética dos EUA na região caso as forças americanas voltassem a atingir ativos iranianos de petróleo e gás. "É simples: a cadeia de produção de petróleo e gás aqui é extensa, acessível e exposta. As empresas americanas de petróleo e gás nessas águas e instalações compartilham essa exposição", disse Ghalibaf em declaração reportada pela AGBI. Os comentários surgiram dois dias depois de as forças dos EUA atingirem três petroleiros iranianos no estreito em retaliação a ataques da Marinha da IRGC a embarcações comerciais.
A escalada agrava a crise de oferta já deflagrada pelo bloqueio naval dos EUA e pelas sanções secundárias que reduziram as exportações de petróleo bruto do Irã em cerca de 85 por cento desde meados de julho, de aproximadamente 1,7 milhão de barris por dia para 260.000 barris por dia no início de setembro, segundo dados de rastreamento de petroleiros da Kpler citados pela Reuters. O bloqueio agora se fundiu efetivamente a uma confrontação militar mais ampla em todo o Golfo. O Goldman Sachs elevou em US$ 5 por barril suas projeções de preço do Brent e do WTI para dezembro de 2026, fixando novas metas de US$ 85 e US$ 80 respectivamente, disse o banco em nota de pesquisa reportada pela Reuters. Mais significativo ainda, o banco sinalizou um cenário altista em que o Brent poderia superar US$ 120 o barril se a produção de petróleo do Golfo permanecer 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis pré-guerra até 2027 — um cenário que se aproxima da realidade à medida que ambos os lados escalam.