A Venezuela está explorando uma saída da OPEP após discutir a possibilidade com autoridades dos EUA, informou a Bloomberg em 27 de agosto de 2026. Nenhuma decisão final foi tomada, mas as conversas marcam uma mudança potencialmente significativa para um membro fundador do cartel do petróleo e alimentam dúvidas sobre a coesão de longo prazo do grupo sob liderança saudita.
A nação sul-americana é membro da OPEP desde a criação da organização, em 1960. A Venezuela produz atualmente cerca de 1,16 milhão de barris por dia (dados de julho de 2026), uma fração dos 3,3 milhões de bpd que bombeava em seu pico no final dos anos 1990. Anos de subinvestimento, má gestão e sanções corroeram a produção a tal ponto que o país já está fora das cotas de produção da OPEP. Uma saída formal teria, portanto, impacto limitado e imediato sobre a oferta — os barris não estão sendo retidos para sustentar os preços, e remover a Venezuela da lista não mudaria as decisões de produção do grupo no curto prazo.
Onde a história ganha peso é no sinal. A autoridade da OPEP repousa sobre dois pilares: a disposição dos membros de coordenar a oferta e a percepção de que o grupo pode atuar como produtor oscilante. A potencial partida da Venezuela — vindo meses depois de Angola deixar o cartel em janeiro de 2024 — renovaria as dúvidas sobre se a aliança liderada pela Arábia Saudita pode se manter unida à medida que os incentivos geopolíticos se fragmentam. Uma análise da Bloomberg em 28 de agosto descreveu o movimento como parte de um esgarçamento mais amplo da influência de décadas da OPEP sobre os mercados globais de petróleo.
Uma parceria energética com os EUA em preparação
As discussões com Washington vão além de uma simples saída da OPEP. Autoridades dos EUA teriam sugerido a ideia de uma parceria energética bilateral que poderia incluir investimento na infraestrutura petrolífera venezuelana e arranjos de fornecimento de longo prazo. Alguns participantes das conversas vislumbram um arcabouço que ampliaria a produção venezuelana ao longo do tempo, posicionando efetivamente o país como uma fonte adicional de crescimento da oferta fora da OPEP.
Para os Estados Unidos, tal parceria avançaria vários objetivos: aumentar a produção de energia no Hemisfério Ocidental, reduzir a alavancagem restante que a OPEP detém sobre os preços globais e aprofundar os laços econômicos com Caracas. Para a Venezuela, o acesso a capital e tecnologia dos EUA poderia reviver uma produção em declínio há duas décadas. O relatório da Reuters sobre a mesma notícia da Bloomberg observou que críticos levantaram preocupações sobre as implicações políticas de uma relação energética mais profunda entre EUA e Venezuela.
O que isso significa para os mercados de petróleo
Os mercados de petróleo já estão se ajustando às expectativas de um excedente crescente. O próprio Relatório Mensal do Mercado de Petróleo de agosto da OPEP cortou sua previsão de crescimento da demanda global para 2026 de 780.000 bpd para 580.000 barris por dia. A Agência Internacional de Energia, em uma avaliação separada, reduziu sua projeção em 510.000 bpd. Nesse contexto, qualquer fonte adicional de oferta — mesmo com impacto limitado no curto prazo — amplifica a narrativa baixista.
O petróleo Brent já havia caído cerca de 7% no início de agosto na esteira das negociações de cessar-fogo entre EUA e Irã, fechando abaixo de $80 o barril antes de se recuperar ligeiramente. Uma saída venezuelana da OPEP não adicionaria barris imediatamente, mas a perspectiva de uma expansão da produção venezuelana apoiada pelos EUA em um horizonte de cinco a dez anos introduz um obstáculo estrutural que os traders provavelmente incorporarão aos contratos de vencimento mais longo.
O risco para a OPEP é tanto reputacional quanto operacional. O grupo passou dois anos administrando uma série de cortes voluntários de produção para sustentar os preços, uma estratégia que exigiu adesão de membros com pressões fiscais e políticas muito diferentes. Se a Venezuela sair, o próximo membro que enfrentar a mesma tentação poderá achar mais fácil seguir o exemplo, enfraquecendo a capacidade do cartel de coordenar futuros cortes.
Limites e incógnitas
Várias ressalvas se aplicam. A Venezuela não anunciou nenhuma ação formal, e a reportagem da Bloomberg caracteriza as discussões como exploratórias. A dinâmica política em Caracas permanece fluida: o governo do presidente Nicolás Maduro depende da receita do petróleo para uma parcela significativa da renda estatal, e qualquer movimento que perturbe a relação restante com aliados da OPEP — particularmente Rússia e Arábia Saudita — traria custos diplomáticos.
Há também a questão do momento. As sanções dos EUA ao petróleo venezuelano, embora parcialmente relaxadas nos últimos anos, continuam sendo um fator complicador em qualquer acordo de investimento ou fornecimento em larga escala. Uma mudança na administração ou nas prioridades políticas dos EUA poderia alterar a trajetória das conversas energéticas bilaterais antes que produzam resultados tangíveis.
O que está claro é que a posição da Venezuela dentro da OPEP é mais fraca do que nunca, e as conversas com Washington sugerem que ao menos alguns atores estão se preparando para um mundo em que Caracas opere fora do arcabouço do cartel. Por ora, os barris permanecem os mesmos — mas a política do petróleo está mudando.
Fontes
- [Venezuela Considers Leaving OPEC as US Partnership Deepens (Bloomberg, August 27, 2026)](bloomberg.com) — Primary
- [OPEC's Future Darkens With Venezuela Latest Nation to Mull Exit (Bloomberg, August 28, 2026)](bloomberg.com) — Secondary
- [Vexit? Venezuela Weighs OPEC Exit as US Ties Deepen (investingLive, August 27, 2026)](investinglive.com) — Secondary
- [Venezuela Weighs OPEC Exit (Rigzone, August 29, 2026)](rigzone.com) — Secondary
- [Venezuela weighs OPEC exit as producer group faces growing fragmentation (World Oil, August 28, 2026)](worldoil.com) — Secondary